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Quarta-Feira, 21 de Fevereiro de 2018, 17h56   (Atualizada 21/02/2018 às 17:56)

Saiba como funcionam as cidades na Europa que reciclam quase todo o lixo

Lixo é valorizado e tratado como matéria-prima na Itália

Imagine uma cidade com espaços aprazíveis e saudáveis, onde o lixo não vai parar no terreno baldio, nem no aterro sanitário. Ao contrário, ele é considerado riqueza e é transformado em novos bens.

Saiba como funcionam as cidades na Europa que reciclam quase todo o lixo (Foto: divulgação e Silvana Rosso)Narni, que fica na província de Terni e tem cerca de 20.324 habitantes, é outra Cidade Recicladora, que implementou várias ações de economia circular, como a distribuição de eco-compactadores e constituiu um comitê de vigilância ecológica para reprimir o descarte inadequado do lixo. Com origem na era paleolítica, resguarda preciosidades que valem todo esse esforço, como a Abadia San Cassiano construída no século X

Como uma roda que não para de girar, onde as "coisas" duram mais e retornam sempre para o ponto de origem, seja a fábrica seja a terra. Onde o desperdício é praticamente zero e o homem e a natureza convivem em harmonia. Isso não é um sonho. É um sistema de gestão de lixo chamado economia circular que deve ser implantado gradualmente no continente europeu até 2030, quando os incineradores passarão a fazer parte dos livros de história (assim se espera!).

"A Europa pretende acabar com o desperdício, investindo no redesign dos produtos, em políticas de redução e de reuso e na maximização de reciclagem", afirma Stefano Ciafani, diretor nacional da Legambiente – associação sem fins lucrativos com missão de tornar a cultura ambiental o centro do desenvolvimento e do bem-estar.

                                (Foto: divulgação e Silvana Rosso)A capital Terni é a maior da província com em torno de 111 mil habitantes. Foi a última a adotar a coleta de lixo porta a porta, em fevereiro de 2017, mas já está se tornando referência na Úmbria. Em julho, já apresentava 75% de coleta diferenciada. Na foto, o rio Nera que atravessa a cidade e onde é possível pescar

Aqui na Itália, há vários exemplos de gestão circular que conheci durante o I Ecoforum Úmbria, organizado em Terni pela Legambiente. O projeto Carta Km Zero (Papel km Zero) é um deles que me impressionou pela sua simplicidade. Ele nasceu em 2012 por meio da associação da Cartieri di Trevi, fabricante de papel e papelão, e a Vallet'Umbria Servizi –  sociedade anônima com capital público, cujos membros são 22 municípios da região da Úmbria –, que gerencia coleta e disposição de resíduos, entre outros serviços.

Saiba como funcionam as cidades na Europa que reciclam quase todo o lixo (Foto: divulgação e Silvana Rosso)Com 1.976 habitantes, Attigliano foi classificada como Cidade Lixo Zero: produziu em 2016 65 kg/habitante de material não recuperável e 80,9% descarte reciclável. Na imagem, veja que limpeza é a Piazza Vittorio Emanuele II.

O acordo entre as duas empresas prevê o recolhimento dos refugos de papel e papelão pela Vallet'Umbria Servizi que os encaminha diretamente para a fábrica da Cartiere di Trevi, onde são recuperados e usados na fabricação de novos produtos. Este processo reduz as emissões de CO2, o consumo de energia e, principalmente, protege o patrimônio arbóreo da região.

Saiba como funcionam as cidades na Europa que reciclam quase todo o lixo (Foto: divulgação e Silvana Rosso)Refugos de papel recolhido na coleta que são usados para a fabricação de novos produtos

São produzidas cerca de 62.000 toneladas de papel e papelão por ano exclusivamente com matéria-prima reciclada (cerca de 70.000 toneladas), graças a logística bem desenhada e às campanhas de comunicação que incentivam o descarte correto; a valorização dos resíduos e da reciclagem dentro do próprio território; e ajudam a reduzir a quantidade de lixo enviada a aterros sanitários.

                                (Foto: divulgação e Silvana Rosso)Caçambas para coleta diferenciada ponto a ponto que atende um prédio de apartamentos em Terni

Outra proposta é a dos eco-compactadores: são máquinas como as de refrigerante e salgadinhos, dispostas em pontos chave das cidades, onde o cidadão insere latinhas de alumínio, garrafas PET e de polietileno de alta densidade que são compactadas e levadas para a reciclagem.

O consumidor é pontuado no seu CPF e depois pode "gastar" esses pontos com produtos em lojas conveniadas, estacionamentos entre outros. A pontuação ainda se transforma anualmente em desconto na tarifa do lixo.  Em Narni, os eco-compactadores estão surtindo efeitos crescentes cada ano. Em 2016, recolheu 11 toneladas de lixo.

Saiba como funcionam as cidades na Europa que reciclam quase todo o lixo (Foto: divulgação e Silvana Rosso)Modelo último tipo de ecocompactador, instalado em dois pontos de coleta em Narni

Já o Ricimobile é um ecoponto móvel que recebe celulares, pilhas baterias e óleo de cozinha, evitando o descarte inadequado desses produtos que contaminam com substâncias tóxicas. O caminhão fica estacionado em shoppings, mercados e parques em datas pré-fixadas. Depois eles seguem para o tratamento e são convertidos em novos bens. O serviço, que iniciou em 2015 e atende nove cidades da Úmbria, indica uma taxa de recolhimento anual de 2 toneladas.

Cidades Recicladoras

Aqui na Itália, os municípios que produzem menos lixo e maximizam a reciclagem, realizando corretamente a coleta seletiva (os descartes são separados por tipologia – que inclui o orgânico – pelo próprio gerador) recebem da Legambiente o título de "Comuni Ricicloni" (Cidades Recicladoras).

Saiba como funcionam as cidades na Europa que reciclam quase todo o lixo (Foto: divulgação e Silvana Rosso)O Ricimobile recolhe eletrônicos de pequeno porte e óleo. Ele fica estacionado em locais estratégicos em dias determinados em nove cidades da Úmbria

Na Úmbria, o prêmio só é conferido a quem apresentar menos rejeitos orgânicos e a maior quantidade de material compostável reciclado – ele pode virar compostagem na própria residência ou empresa e depois se transformar em energia ou adubo.

No topo dessa lista de 2017 na Úmbria, estão Attigliano, Montefranco e Ferentillo, pequenas cidades da província de Terni, que conseguiram atingir 80% em coleta seletiva e 75 kg per capita/ano de material que não pode ser reciclado, classificando-se pela primeira vez como Cidades Lixo Zero.

Eco-responsabilidade

Muitos munícipios na Itália aplicam a coleta porta a porta, como Terni, capital da província homônima, realizada pela empresa pública ASM Terni, que atende mais seis cidades da região. Uma solução para a quantificação e o reconhecimento dos resíduos gerados pelo usuário individual ou grupo limitado.

Saiba como funcionam as cidades na Europa que reciclam quase todo o lixo (Foto: divulgação e Silvana Rosso)Stefano Ciafani, diretor nacional da Legambiente, na abertura do Ecoforum: "Hoje a Úmbria está em condições de se tornar a primeira região italiana a praticar integralmente as diretivas europeias sobre economia circular."

Para colocar em prática o sistema, na capital foram distribuídos 237.955 equipamentos de coleta, entre tambores e caçambas identificados com a tipologia, além de 69.801 recipientes específicos para orgânicos, 6.613.200 sacos biodegradáveis e 3.716 composteiras. O usual era o recolhimento coletivo, por quarteirão.

Na segunda fase de implantação do projeto, o usuário será cobrado com uma tarifa proporcional ao volume e à qualidade de resíduos gerados, graças à tecnologia RDSI (rede digital de serviços integrados). Cada lixeira será equipada com um dispositivo para a leitura de dados, computados em um servidor central e associados a cada consumidor. Uma conta básica: quem gerar menos lixo, pagará menos. Quem gerar mais, pagará mais!

                                (Foto: divulgação e Silvana Rosso)Nossa correspondente Silvana Maria Rosso foi conferir I Ecoforum Úmbria, realizado pela Legambiente em Terni

Para fechar esse ciclo, há os guardas ecológicos, treinados para evitar e reprimir o abandono ilegal de descartes, multando os cidadãos que prejudicam o meio ambiente. E câmeras que registram as ações irregulares na área de descartes. Em Narni, por exemplo, foi constituído um comitê para cuidar do assunto, que além de integrantes do serviço público funciona com a ajuda de voluntários.

Com tantas boas ações, deixo Terni esperançosa de que a solução para um mundo melhor está em "reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, preservando-o e cedendo-lhe espaço", como afirma o escritor ítalo cubano Italo Calvino (1923-1985) em "Cidades Invisíveis". Ou seja, com a coleta seletiva bem feita podemos evitar uma grande parte dos problemas ambientais e gastar muito menos no dia a dia, além de democratizar o fornecimento de energia e de alimentos. Simples assim!

Fonte: http://casavogue.globo.com
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